sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Pequena Notável



Habituamos-nos tanto a ver Carmen como a baiana chic das películas que quase nunca pensamos na mulher. É sempre a personagem que nos vem à mente. Certa vez, vendo um documentário sobre sua vida, ri com uma frase que dizia: “Sim, eu tenho cabelos.” Que loucura! Sua imagem ficou tão atrelada aos turbantes que era bem capaz de alguém achar que eles eram partes inerentes ao corpo da artista (existiam no lugar dos cabelos?!).
Foi triste a glamurosa vida de Carmen. Tanto brilho, tanta fama, tanta queda. Seu contagiante talento conquistou o Brasil a partir da gravação de Taí (Eu fiz tudo pra você gostar de mim), fez sucesso tamanho, que foi levada aos Estados Unidos (onde se tornou fenômeno) para servir de instrumento da política de boa vizinhança. Só que foi descartada depois... E quando saiu de moda, tornou-se alvo de risos.
Mas isso não é uma biografia.
Vejam como era linda! Linda e talentosa. Seus olhos marcantes, seu sorriso desafiador. Essa portuguesa é tão brasileira! É tão nossa.
Salve Carmen! Viva o camarão ensopadinho com chuchu!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008


Estamos no fim da primavera. O verão já se anuncia escandalosamente. Os dias agora carregam uma aura leve, como se todos os problemas do mundo se resolvessem com um sorvete de limão (ou maracujá). Nessa época gosto de me deitar sob o céu e observar os tons que o azul assume.Essa prática me alivia o espírito.

Esta árvore da foto é um plátano ( símbolo do Canadá), suas folhas assumem um tom dourado e caem durante o outono cobrindo o chão como um tapete majestoso, esse é o momento da latência... A primavera é para ela redenção. Durante meio ano sua aparência foi melancólica e a ausência das folhas revelou um tronco esquálido, na estação das flores, reassume seu verde e se enche das promessas de recomeço.

É linda e faz pensar no ciclo que é a vida...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Minhas Trilhas

Eu tenho uma ligação sinestésica com a música. Cada momento, cada escolha, cada lembrança invocam uma canção adequada. É inevitável que eu imagine as trilhas da minha vida. Atualmente elejo (dentre algumas outras) esta belíssima canção:


Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada

Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranquilo
Deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo
Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar faca amolada

Irmão, irmã, irmã, irmão de fé faca amolada
Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia
Beber o vinho e renascer na luz de todo dia
A fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada
O chão, o chão, o sal da terra, o chão, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar no pão de todo dia
Deixar o seu amor crescer na luz de cada dia
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai se muito tranquilo
(Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)

sábado, 6 de dezembro de 2008

Não foi real quando você surgiu.
Os dias na cidade passam com desassossego
E eu ando distraída pelos dias,
Meus devaneios trombam nos postes, nas placas,
Nos transeuntes incógnitos pelas vias
(O ritmo de ir e vir me lembra Baudelaire)
Tudo sempre parece artificial...
E você surgiu!
Sua aura azulada me chegou pelas luzes
Como sonhos pirotécnicos nas noites de natal.
E foi tão surpreendente e paralisante,
Que sua presença inundou os meus sentidos.
Deixei-me ficar!
A fala arrebatadora me soou como cantiga,
O canto das lendas, das histórias eternas...
Adormeço no seu colo, embalada pelo encanto,
Desejo que as noites possam ser infindas,
Que seu beijo more no meu beijo,
Assim como minha paz mora em seus braços.


Ainda ando distraída pelos dias,
Meus devaneios não trombam nos postes,
Seguem diáfanos até você.
É real a sua presença que me acolhe,
Assim como são reais os anseios do amor!

domingo, 16 de março de 2008

As três



Eram três e por ser uma só a época, de repente se encontraram. O convívio diário fez brotar uma inevitável cumplicidade feminina: conversas, silêncios, sorvetes, cervejas que permeavam essa recém- estabelecida relação.
Eram três, duas daqui, uma de lá. Por onde andaram durante mais de vinte anos que nunca antes se encontraram... amigas de infância? Noites de estudo, sextas de festa. Tudo parecia tão natural e intenso que ninguém diria que não estiveram juntas pela vida inteira.
Eram três, uma casada, duas solteiras. E houve sempre o ombro para os desabafos das confusões amorosas da indefinida e para os da mais indefinida ainda. A serenidade de quem ama inspirando aquelas que queriam aprender.
Eram três, três estudantes buscando um diploma. As aulas chatas, o cansaço, as listas, os livros. Muitos anos...a viagem para longe...as duas que ficam...o tempo...a volta...eram três de novo! O alívio. O medo, o apoio, o fim, o começo, a definitiva gratidão.
Eram três na noite da festa que indicava o término da batalha. O nascimento de uma nova vida. O precisar andar sozinha, o aceitar o novo amor, o vacilar e querer novamente o já passado. O aprender a nova vida.
São três! Não importa mais o longe e o perto! As mentes aprenderam a estar unidas. Os reveses, as conquistas, os amores, as quedas, tudo juntou o que é impossível desmoronar...

Para minhas amigas,

Flávia e Karin, como sinal de gratidão e de amor.